Presidente da Bolívia diz que crise no país "aproxima-se do ponto de rutura"
O Presidente boliviano, Rodrigo Paz, apelou hoje ao diálogo com os manifestantes que exigem nas ruas a sua demissão, alertando que a crise "aproxima-se do ponto de rutura".
A declaração surge um dia depois da decisão do parlamento que abriu caminho ao Presidente para instaurar o estado de emergência devido à contestação.
"O país precisa de ordem (...) O tempo está a esgotar-se", afirmou o líder de centro-direita em La Paz, a capital administrativa do país.
O chefe de Estado enfrenta desde o início de maio uma forte contestação, com bloqueios de estradas e manifestações maciças conduzidas por camponeses, mineiros, trabalhadores e motoristas. Inicialmente, os manifestantes exigiam medidas contra a crise económica, a pior em 40 anos, mas agora pedem a demissão de Rodrigo Paz.
Na terça-feira à noite, o Parlamento revogou uma norma que limitava os poderes do Presidente para decretar o estado de emergência, que permite o recurso ao exército e restrições às liberdades de reunião e circulação.
"Aqueles que querem destruir a pátria `terão de lidar [comigo] e com toda a força da Constituição`", advertiu o chefe de Estado. "As polícias, as forças armadas: sintam-se seguros, o vosso povo apoia-vos", acrescentou.
La Paz tornou-se o epicentro das manifestações e bloqueios que provocam escassez de alimentos, medicamentos e combustível.
Segundo Rodrigo Paz, a crise já custou 600 milhões de dólares à economia boliviana.
Vestidos de `polleras`, as saias tradicionais dos Andes, milhares de camponesas desfilaram também hoje em La Paz, antes de se juntarem a uma marcha de motoristas em greve que paralisaram os transportes públicos.
O governo denuncia aquilo que considera ser uma tentativa de "perturbar a ordem democrática" e acusa o antigo presidente socialista Evo Morales (2006-2019), alvo de um mandado de detenção num caso de alegada exploração de uma menor, de alimentar a contestação.